Mesmo quando estamos em silêncio, existe uma voz que comenta o que acontece, interpreta situações, faz perguntas, tira conclusões e,
muitas vezes, antecipa resultados antes mesmo que eles aconteçam.
É uma conversa tão constante que quase deixamos de percebê-la.
No entanto, poucas coisas exercem tanta influência sobre a maneira como enxergamos a vida quanto
aquilo que repetimos para nós mesmos todos os dias.
O curioso é que dificilmente falaríamos com um amigo da mesma forma como, às vezes, falamos conosco.
Diante de um erro, dizemos que somos incapazes.
Quando um plano não dá certo, concluímos que nunca conseguiremos.
Se alguém nos rejeita, acreditamos que o problema está em quem somos.
Aos poucos, essas frases deixam de parecer apenas pensamentos passageiros e começam a construir uma história sobre a nossa própria identidade.
E, sem perceber, passamos a viver como se essa história fosse uma verdade absoluta.
A história que você conta para si mesmo molda a maneira como você caminha
Imagine duas pessoas enfrentando exatamente o mesmo desafio.
Ambas recebem uma resposta negativa para uma oportunidade importante.
A primeira pensa: "Talvez eu ainda não esteja preparado. Vou aprender e tentar novamente."
A segunda conclui: "Eu sabia que isso aconteceria. Nada dá certo para mim."
O fato vivido foi o mesmo.
O caminho que cada uma seguirá depois dele, porém, provavelmente será muito diferente.
As palavras que usamos para explicar a nossa própria vida não mudam magicamente a realidade.
Mas elas influenciam as decisões que tomamos, a coragem para tentar outra vez e até a disposição para enxergar oportunidades quando elas aparecem.
A forma como interpretamos um acontecimento costuma ser muito mais determinante do que o acontecimento em si.
Nem toda conversa precisa terminar em julgamento
Existe uma diferença enorme entre reconhecer um erro e transformar esse erro em uma definição sobre quem somos.
Dizer "eu errei" abre espaço para aprender.
Dizer "eu sou um fracasso" fecha quase todas as portas antes mesmo de tentar atravessá-las.
Talvez o problema nunca tenha sido a dificuldade que você enfrentou, mas a sentença que pronunciou contra si mesmo depois dela.
Somos muito rápidos para nos julgar e, ao mesmo tempo, extremamente generosos quando aconselhamos quem amamos.
Curiosamente, oferecemos aos outros a compreensão que muitas vezes negamos a nós mesmos.
A maneira como você se enxerga também pode mudar
A boa notícia é que essa conversa interior não está escrita em pedra.
Assim como aprendemos, ao longo da vida, a repetir determinadas crenças sobre nós mesmos,
também podemos aprender a construir um diálogo mais verdadeiro, mais gentil e mais equilibrado.
Isso não significa fingir que tudo está bem quando não está.
Também não significa repetir frases prontas esperando que a realidade mude sozinha.
Significa apenas olhar para si com a mesma honestidade e a mesma compaixão que você ofereceria a alguém que estivesse tentando recomeçar.
Talvez, em vez de dizer
"eu nunca consigo",
você possa dizer
"ainda estou aprendendo".
Em vez de "não sou capaz", talvez seja mais verdadeiro pensar:
"ainda não encontrei o meu melhor caminho."
Pequenas mudanças nas palavras nem sempre transformam o mundo ao nosso redor.
Mas podem transformar a maneira como caminhamos por ele.
O convite de hoje:
Hoje, preste atenção em uma única frase que você costuma repetir para si mesmo.
Talvez ela apareça quando algo dá errado, quando sente medo ou quando se compara com outras pessoas.
Pergunte-se, com sinceridade:
"Essa frase descreve a realidade ou apenas uma história que venho repetindo há muito tempo?"
Se descobrir que ela apenas o limita, experimente substituí-la por uma versão mais verdadeira, mais justa e mais gentil.
Não porque isso resolverá todos os problemas, mas porque ninguém merece atravessar a vida sendo o seu próprio maior crítico.
Às vezes, a mudança mais importante não começa quando o mundo passa a falar diferente com você.
Começa quando você decide falar diferente consigo mesmo.
As palavras que mais influenciam a sua vida raramente são aquelas que vêm de fora. São aquelas que, todos os dias, você escolhe acreditar sobre si mesmo.
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